Transição energética terá custos elevados, diz diretor-geral da ANP

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“A transição vai ser cara e impactar muito a vida da gente... Não me parece que isso esteja sendo colocado claramente”, disse Rodolfo Saboia, durante evento on-line da FGV Energia

O diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Rodolfo Saboia, afirma que a transição energética para uma economia de baixo carbono terá custos elevados e que a sociedade precisa ser conscientizada sobre isso.

“A transição vai ser cara e impactar muito a vida da gente... Não me parece que isso esteja sendo colocado claramente”, disse Saboia, durante evento on-line da FGV Energia.

Saboia também vê riscos à segurança energética global, uma vez que os investimentos em fontes renováveis não estão acontecendo “na medida necessária para que a transição aconteça”.

“Há um estrangulamento do investimento em fósseis e subinvestimentos em renováveis. A conta não vai se fechar”, comentou.

Segundo o diretor-geral da ANP, a pressão da sociedade e investidores sobre as petroleiras já tem se traduzido nas estratégias das empresas e inibindo investimentos em novas fronteiras exploratórias.

A diretora-executiva corporativa do Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP), Cristina Pinho, disse que a pressão sobre a indústria de óleo e gás é crescente e que isso se refletiu na forte presença da iniciativa privada na Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP26), em Glasgow, na Escócia.

Segundo ela, a indústria de óleo e gás vai ser muito demandada “moralmente”. A transição, no entanto, não deve ser vista como uma ameaça, mas como oportunidade de novos negócios para as petroleiras.

“Mas há, sim, ameaças em relação ao preço do barril do petróleo, que não necessariamente vai continuar em patamares que sustentem nossa indústria e portfólio. Há essa janela que temos que estar atentos”, ressalvou.

Cristina Pinho acredita, porém, que a transição também passa por mudanças nos hábitos de consumo por parte da sociedade. Ela cita estudos que apontam para a aversão dos clientes em abrir mão de seus “privilégios e conforto”.

A diretora de Estudos do Petróleo, Gás e Biocombustíveis da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Heloísa Borges, concorda. Ela afirma que a transição passa, em certa medida, por mudanças na forma de locomoção, de um modelo de transporte individual para coletivo. “Isso envolve grandes compromissos sociais e disposição de consumidores”, disse.

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