Testes de covid-19 podem acabar e especialistas recomendam uso criterioso

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Farmácias, clínicas e hospitais começaram nesta semana a suspender a realização de testes para detecção da covid-19 por falta de insumos. A alta transmissibilidade da variante ômicron causou um aumento exponencial dos casos da doença, notadamente após as festas de final do ano, e impôs uma forte pressão na capacidade produtiva de testes no mundo, tanto os de PCR quanto os de antígeno.

A Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) lançou um alerta, na quarta-feira (12), afirmando que, "se os estoques não forem recompostos rapidamente poderá ocorrer a falta de oferta de exames". Em um comunicado, o presidente do Conselho de Administração da entidade, Wilson Shcolnik, explica que, avaliando as notícias que vêm de outros países, a conclusão é que "há um risco real de desabastecimento”.

Após a divulgação do alerta da Abramed, diversas empresas de saúde do Brasil, como a Drogaria Raia/Drogasil e a Rede D’Or decidiram suspender as testagens. Para o presidente do Sindicato dos Laboratórios de Pesquisa e Análises Clínicas (Sindilab), Alexandre Bitencourt, o problema é mais grave porque ainda não existe uma indústria nacional capaz de disponibilizar materiais para a realização das testagens, mas apenas importadores do insumo.

O que dizem os especialistas?

 Abramed/Reprodução.Fonte: Abramed/Reprodução.Fonte:  Abramed 

Em nota técnica, divulgada também na quarta-feira (12), a Abramed afirma que, embora reconheça a importância da testagem de toda a população para o controle epidemiológico e o manejo dos pacientes, aconselha aos seus associados que façam uma priorização nos pacientes para a realização de testes, seguindo uma escala de gravidade.

Embora o cenário ideal seja continuar testando todas as pessoas que se expuseram de alguma forma ao vírus, reitera Shcolnik,  "recomendamos fortemente que sejam submetidos a testes apenas os pacientes que tenham maior gravidade de sintomas, pacientes hospitalizados e cirúrgicos, pessoas no grupo de risco, trabalhadores assistenciais da área da saúde, e colaboradores de serviços essenciais".

Portanto, a orientação da entidade que agrega importantes instituições de medicina diagnóstica, laboratorial e por imagem é de que sejam interrompidas as testagens de "contactantes, assintomáticos e pessoas com sintomas leves". No entanto, a Abramed recomenda que essas pessoas permaneçam em isolamento até que o abastecimento seja normalizado.

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