Superávit do Corinthians explica dinheiro para contratações? Entenda o que mudou de 2020 para 2021

3 meses atrás 48

O Corinthians usou seus meios de comunicação, na quarta-feira, para anunciar que fechou o primeiro semestre de 2021 com superávit de R$ 394 mil. O resultado fez o clube valorizar “suas medidas de austeridade” e se permitir “voltar a investir” na segunda metade do ano.

Alguns desses investimentos já foram feitos, com a chegada de jogadores de renome, como Renato Augusto e Giuliano. Róger Guedes está perto de ser o próximo, e o Corinthians também sondou a possibilidade de contratar Willian, hoje de saída do Arsenal.

Mas os números do balancete divulgado pela diretoria paulista explicam essas contratações? Olhando apenas para o resultado dos seis primeiros meses de 2021, os R$ 394 mil no azul do Corinthians são superiores ao registro do Flamengo no mesmo período – déficit de R$ 116 mil. Esse valor é a diferença entre tudo que cada clube arrecadou no semestre com seus gastos.

Em 2020, no entanto, o Corinthians também fechou o primeiro semestre com resultado positivo. Inclusive, superávit bastante superior ao de 2021: R$ 4,39 milhões. Ainda assim, ao final da temporada, impactada pela pandemia, o clube teve déficit de R$ 123 milhões.

Desde 2016, o Corinthians, aliás, não sabe o que é fechar o ano no azul, gastando sempre mais do que arrecada no ano, acumulando resultados negativos que somam mais de R$ 350 milhões desde então – o maior déficit foi registrado em 2019, com R$ 177 milhões no vermelho.

Em sua nota oficial, o Corinthians valoriza “avanços significativos na área de marketing” ao citar a possibilidade de voltar a investir no segundo semestre. De fato, de 2020 para 2021, nos primeiros seis meses, o clube fez mais dinheiro com patrocínio e publicidade no futebol: R$ 37,7 milhões na última temporada até junho, e R$ 46,8 milhões em 2021.

Olhando para o total de receitas, porém, o clube alvinegro fez mais dinheiro no futebol no primeiro semestre da última temporada do que na atual: R$ 292,3 milhões em 2020 contra R$ 212,2 milhões em 2021. No total, a arrecadação líquida ficou na casa dos R$ 220 milhões – para comparação, o Flamengo, de resultado inferior, registrou R$ 342 milhões no período.

Há um ano, por exemplo, o Corinthians ainda conseguiu arrecadar, no balanço, R$ 7,3 milhões com bilheteria – dinheiro, porém, que vai direto para o fundo para o pagamento do estádio. Já em 2021, a equipe teve receita superior no 1º semestre com direitos de transmissão (R$ 145,4 milhões x R$ 95,6 milhões no mesmo período de 2020) – mas essa cifra inclui premiações pagas ainda pela temporada anterior, já que as competições foram estendidas pela pandemia.

Se as receitas ficaram abaixo, o Corinthians, de fato, diminui gastos nas comparações dos primeiros seis meses de 2020 e 2021. Até junho da última temporada, o futebol alvinegro havia consumido R$ 221 milhões, valor que foi de R$ 165,6 milhões na atual.

Uma diferença importante está que, enquanto no primeiro semestre de 2020, o clube gastou R$ 54 milhões em “custos com vendas e aquisição de atletas”, em 2021, até junho, esse valor foi zero. Um ponto negativo para o Corinthians, mas que tem impacto positivo no resultado, é que o clube também não repassou qualquer dinheiro ao fundo de bilheteria da Neo Química Arena, enquanto, na última temporada, no mesmo período, foram R$ 4,5 milhões.

Pensando no futebol, uma linha importante do balancete é a que mostra os gastos com pessoal, os salários – a maior parte concentrada no time principal. E, em 2021, no primeiro semestre a folha alvinegra era maior do que em 2020: R$ 103,5 milhões x R$ 91,7 milhões.

Em média, por mês, há um ano, o Corinthians gastou R$ 15,2 milhões em salários no primeiro semestre, enquanto, em 2021, a folha ficou em R$ 17,2 milhões. Ao final da última temporada, o gasto total do clube nesse quesito foi de R$ 188 milhões (R$ 15,6 milhões mensais).

A boa notícia para as finanças alvinegras pensando nos salários, ao menos, é que depois de junho, período retratado pelo balancete mais recente, diversos jogadores deixaram o elenco profissional, casos como Cazares, Otero, Jemerson, Ramiro, entre tantos outros.

O tamanho real da economia feita com saídas e as posteriores chegadas de Renato Augusto, Giuliano e cia., no entanto, só poderá ser visto nos próximos balancetes do Corinthians.

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