Papers, Please simula a rotina burocrática e cruel de um fiscal de imigração

1 semana atrás 13
Papers, Please (Imagem: Murilo Tunholi/Tecnoblog)

Glória à Arstotzka, e boas-vindas à primeira coluna de games indie do Tecnoblog de 2022. Como já deve ter visto pelo título, nesta semana vamos falar de Papers, Please e mostrar que ser um fiscal de imigração não é brincadeira. Pegue seu passaporte e seu visto de entrada, e venha comigo conhecer este excelente “simulador de burocracia e assuntos políticos” que pode ser bastante cruel.

O destino de Arstotzka depende de você

Arstotzka é quem escolhe o seu destino em Papers, Please (Imagem: Murilo Tunholi/Tecnoblog)

Papers, Please retrata uma distopia em que você, jogador, é sorteado para trabalhar em um posto de imigração na fronteira do país fictício de Arstotzka, no leste europeu. Seu dever é permitir ou negar a entrada de estrangeiros, sempre analisando se os documentos apresentados — passaportes, vistos, identidades, entre outros — são verídicos e estão de acordo com as regras do país.

Você não tem nome, rosto ou personalidade, pois o protagonista é só mais um trabalhador como qualquer outro que bate ponto pela manhã, fica até o final do expediente e vai embora para casa sem olhar para trás. A sua única preocupação é ganhar dinheiro para manter sua família bem alimentada, aquecida e saudável.

Por mais que o protagonista só queira trabalhar em paz, a relação diplomática conturbada entre Arstotzka e os países vizinhos não deixa isso acontecer. Na época que se passa Papers, Please, a nação comunista de Arstotzka está se recuperando de uma guerra de seis anos contra o vizinho Kolechia.

Assim como em qualquer conflito, os cidadãos estão fragilizados buscando um novo lar ou buscando vingança, no caso dos mais nacionalistas. Como responsável pela fronteira, você deve realizar o melhor trabalho para manter Arstotzka segura e deixar apenas as pessoas corretas entrarem no país.

Controle a entrada de imigrantes em Papers, Please (Imagem: Murilo Tunholi/Tecnoblog)

No começo da campanha é tudo muito simples. As pessoas que quiserem entrar em Arstotzka vão apresentar seus passaportes e vistos, e você deverá analisar se há alguma discrepância nas informações dos documentos. Com o decorrer dos dias, a rotina vai ficando mais complicada, principalmente quando escolhas morais começarem a surgir.

Papers, Please é um jogo de simulação e estratégia, então é preciso pensar muito antes de agir. Não há muito tempo livre disponível para isso, já que um dia de trabalho é limitado e o pagamento no final do expediente depende de quantas pessoas foram atendidas no posto de imigração. Essa pressão torna o game muito mais dinâmico e divertido, no final das contas.

No final de cada dia, o dinheiro recebido é usado para pagar o aluguel do apartamento, assim como comida, remédios e aquecimento para a família. Às vezes, será preciso abrir mão de certos luxos para cuidar dos seus parentes, então não fique apegado ao dinheiro e aproveite as oportunidades de faturar uma grana por fora.

A parte mais legal de Papers, Please é a possibilidade de terminar a campanha em um dos 20 finais diferentes. Em certos dias de trabalho, o jogo apresenta situações em que a sua moral é colocada à prova. Logo no início, por exemplo, você recebe um casal de imigrantes. O homem está com os documentos em dia, mas a mulher não. Portanto, fica a seu critério deixar a família unida ou seguir à risca a burocracia da função.

Escolha entre obedecer ao governo ou trair a nação

Fique atento aos acontecimentos em Arstotzka (Imagem: Murilo Tunholi/Tecnoblog)

Como bom funcionário público, as autoridades de Arstotzka esperam que você obedeça todos os direcionamentos do governo. Isso inclui impedir a entrada de terroristas, dar prioridade para diplomatas, revistar indivíduos suspeitos e até proteger a sua nação de uma organização secreta que busca aplicar um golpe de estado. No entanto, você tem total liberdade de fazer as suas próprias escolhas, e é isso que torna esse jogo tão grandioso.

Ao todo, são 31 dias de trabalho em uma única campanha. A ideia é fazer os 20 finais, mas essa tarefa exige muito tempo e dedicação. Por isso, recomendo seguir o coração e fazer as escolhas baseadas no que você achar certo. Se não gostar da conclusão, é só começar tudo de novo. Os dias de trabalho têm mais ou menos 15 minutos, portanto é preciso de cerca de nove horas de jogatina para terminar uma campanha.

Já adianto que as primeiras horas são um pouco monótonas, porém o jogo engata a quinta marcha a partir do momento em que o primeiro atentado terrorista acontece. É, nem sempre funcionários públicos tem essa vida fácil que algumas pessoas falam por aí.

Papers, Please vale cada tostão da sua carteira

Criado por apenas uma pessoa — Lucas Pope —, e lançado em 2013, Papers, Please tem proposta simples e objetiva, mas entrega uma narrativa profunda e complexa. Com gráficos pixelizados, o jogo tem estilo de arte único e bonito, mas que pode atrapalhar em algumas partes da campanha. Por fim, não espere muita coisa da trilha sonora, porque o game só tem a música do menu e nada mais.

Papers, Please vale o seu dinheiro, principalmente se você gosta de enfrentar decisões morais no dia a dia. Se quiser, também pode assistir ao curta-metragem baseado no game com atores reais. O filme russo está disponível no YouTube com legendas em português e logo abaixo também:

O jogo está disponível para comprar no PC (Steam, Humble e GOG), iPad e PlayStation Vita. Vale mencionar que o game tem localização excelente em português do Brasil, em que os textos não são apenas traduzidos, mas sim adaptados para o nosso idioma.

Glória à Arstotzka! PRÓXIMO!

Fonte