O destino do Brasil é o único medo que nos assombra

1 mês atrás 17

Nosso artigo “Nem Bolsonaro nem Lula” (O Estado de S. Paulo, 13/8) suscitou o que parece ser uma resposta sob o título “Quem tem medo de Lula?” (1º/9), publicada nesta Folha pelo professor Rogério Cezar de Cerqueira Leite. Saudamos a crítica. Debater é da essência da democracia, especialmente com pontos e contrapontos embasados.

Mas parece que o articulista ou leu apenas o título ou se confundiu, não obstante tenha nos citado. A razão da estranheza é que, a pretexto de exaltar os feitos do ex-presidente Lula, ele refuta o que não escrevemos.

Publicamos e reafirmamos, referindo-nos a Jair Bolsonaro e Lula, que “ambos (...) já são personagens da história, que saberá julgá-los. Quanto a nós, é daqui para a frente, e, por consequência, a partir de 1º de janeiro de 2023, que o Brasil se mostrará tanto a quem dele precisa quanto a quem dele se quer orgulhar”.

Em sua crítica inconsistente com o que expressamos, o articulista retoma o já cansado conceito de luta de classes. Pior, decidiu que colocávamos o ex-presidente e o atual no mesmo saco. Um artigo que propõe outra via, que não Lula ou Bolsonaro, provoca reações. Recebemos centenas. Mas os leitores souberam reconhecer que, em vez de comparar nomes, destacamos a ineficiência dessas gestões, além de instigar a busca de novos caminhos para um país necessitado de compromissos com resultados.

Importa-nos a criação de programas responsáveis para enfrentar a miséria social, ambiental, moral e econômica que nos envergonha. Em geral, fora do ambiente tóxico das bolhas de fanatizados, percebe-se a força da demanda por soluções que representem, como dissemos no artigo, “uma alternativa de equilíbrio, moderação e responsabilidade, com sentido de missão e foco em resultados”.

O professor Cerqueira Leite sabe que cientistas se baseiam em evidências, não em elucubrações, não põem na boca de outros o que não disseram. Sua tentativa de usar o velho estereótipo de que a elite não quer que um operário presida o país não sobreviveu ao tempo. A questão real é outra, se quisermos o Brasil dirigido por quem olhe para a frente e não pelo retrovisor.

O fato é que o mundo mudou, e o Brasil precisa mudar. As grandes prioridades estão claras a quem vier dirigir o país. Independentemente de sua origem social, formação escolar e experiência pregressa, é preciso dedicar-se à redução das desigualdades, à proteção do meio ambiente, defender a democracia como valor permanente, valorizar a livre iniciativa, a educação, a ciência e a tecnologia. Isso é o que nos motiva a dialogar.

Não há de nossa parte —e seguramente de todos que defendem a democracia, a gestão pública como valor civilizatório e o desenvolvimento que enfrente o fosso social— qualquer medo de Lula, a quem bem conhecemos. Já apuramos nossa capacidade de intuir quem são os canalhas. Enfrentemo-los sem divisões.

Vencendo Lula ou um nome novo, como julgamos preferível, estaremos na primeira fila para aplaudir e desejar sucesso por ele e pelo Brasil. Mais claro, impossível, caro professor. Eis, pois, a resposta para a questão do seu artigo.

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