Mortes: Filho da grande dama do teatro, viveu a arte e o espiritismo

1 mês atrás 24

"A vida é uma eterna renúncia de si mesma." Era a frase que Luiz Carlos Becker Fleury Martins, o Cuca Becker, gostava de repetir.

Cuca nasceu no Hospital Santa Catarina, na Bela Vista (região central de São Paulo), filho de Tito Lívio Fleury Martins e da grande dama do teatro brasileiro, a atriz Cacilda Becker (1921-1969). Era sobrinho da atriz Cleyde Yáconis (1923-2013).

Assim como sua mãe, que, no dia 6 de abril de 2021, teria completado cem anos se estivesse viva, amou as artes intensamente.

Ator, produtor e diretor, trabalhou em teatro, cinema e TV. Nas telonas interpretou uma criança em "Floradas na Serra" (1954).

Esteve ao lado da mãe em "Esperando Godot" (1969), peça que também tinha Walmor Chagas, marido de Cacilda na época. Durante a apresentação do espetáculo, Cacilda Becker sofreu um derrame cerebral e morreu dias depois, aos 48 anos.

Desgostoso pela morte da mãe, Cuca encerrou a carreira artística cedo e entrou para o ramo da construção civil. Montou uma construtora na região do Itaim Bibi (zona oeste), ao lado do pai.

Cuca Becker dedicou-se ao espiritismo e conheceu o médium Chico Xavier, no prédio dos Diários Associados. Na ocasião, estava acompanhado pela primeira mulher, a atriz Dorita Duarte (1936-1987).

"O Chico veio caminhando, atravessou uma sala enorme sem falar com ninguém. Pegou na mão do Cuca e disse: 'Cuca Becker, filho da primeira-dama do teatro brasileiro, como eu queria te conhecer! Sua mãe quer falar com você. Venha a minha casa em Uberaba em uma semana que eu te mostro'. Ele [Chico Xavier] psicografou uma mensagem linda, que está no livro ‘Feliz Regresso’, entre coisas íntimas que só ele e a mãe sabiam", relata o cineasta e bacharel em Comunicação Social Guilherme Becker, 47, seu filho.

A partir daí Cuca Becker iniciou-se no espiritismo. Por muitos anos, dirigiu o Instituto Filantrópico Cacilda Becker, em Diadema (na Grande São Paulo), atualmente sob a direção de Guilherme.

Cuca era alegre, espírita ferrenho, que lutava contra o racismo e o preconceito. Na doutrina espírita trabalhou também para que as pessoas aprendessem a dividir.

"Ele era preocupado com o bem do próximo", resume Guilherme.

Cuca morreu no dia 26 de novembro, aos 72 anos, em casa, ao lado do filho e da segunda esposa, Virgínia Becker Fleury.

coluna.obituario@grupofolha.com.br

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