Mortes: Defendeu a liberdade religiosa e o respeito ao candomblé

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Aos seis anos de idade, a alagoana Magnólia Santos Fonseca sentiu as primeiras manifestações mediúnicas. Mas sua família, que era católica, não aceitava falar sobre o assunto.

Após o casamento, começou a frequentar a umbanda e depois o candomblé. Segundo Odé D’Loy, 55, seu filho de santo há 36 anos, ela foi iniciada nos cultos de matriz africana no candomblé, pelo professor José Ribeiro, em 1967. "Ela sempre teve a umbanda como princípio de referência", afirma.

Magnólia tornou-se Mam’Etu Mazza Kessy, considerada referência e conhecida como a matriarca do candomblé de angola na Baixada Santista.

"A cidade de Santos perdeu uma defensora da liberdade religiosa e do respeito à religião", diz Odé D’Loy.

Em 1970, Magnólia abriu a Tenda Espírita de Umbanda Imaculada Conceição Oxum, em Santos (72 km de SP).

Como boa mãe, participava da vida dos seus quase 300 filhos e preocupava-se com cada um deles. Era amiga, amável e severa, como uma mãe. Ativa, mas paciente, preferia sempre o diálogo. Perfeccionista, estudava muito a religião.

"Mam’Etu Mazza kessy viajava muito pelo Brasil para ajudar os filhos que já tinham casa aberta em outros locais. Ela realmente difundiu a religião", afirma.

A fisioterapeuta Claudia Caetano de Jesus, 56, conheceu Magnólia aos 12 anos. "Ela olhava para você e via o que estava acontecendo. Fez muitas curas. O sentimento que eu tenho com a partida dela é igual ao de uma mãe. E não sou só eu, pois todos os filhos estão assim. Ela viveu para a espiritualidade, trabalhou com dedicação e cumpriu sua missão", diz Claudia.

Ao longo da trajetória, Mam’Etu Mazza kessy recebeu muitas homenagens, entre elas com o título de honra ao mérito Mulheres Ilustres do Candomblé, pela Federação Nacional da Religião Orixá.

Ela morreu dia 18 de outubro, aos 85 anos, após uma parada cardiorrespiratória. "Mam’Etu Mazza kessy deixa como ensinamento que quem ama o Orixá, ama Deus e o próximo", afirma Odé D’Loy.

coluna.obituario@grupofolha.com.br

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