Morte em Hollywood: relembre casos de acidentes nos sets de filmagens

1 mês atrás 17

Acidentes em sets de filmagem, muitas vezes fatais, não são acontecimentos raros em Hollywood. O tiro acidental que vitimou a diretora de fotografia ucraniana Halyna Hutchens durante as filmagens de ‘Rust’ imediatamente trouxe lembranças de um incidente muito semelhante, que tirou a vida do ator Brandon Lee durante a produção de ‘O Corvo’ (1994). Ao longo das décadas, a indústria tentou impor regras de segurança mais rígidas para evitar casos do tipo, mas fatalidades continuam a acontecer.

No caso de Brandon, artista marcial e filho do lendário Bruce Lee, o ator foi baleado acidentalmente com uma arma Magnum .44 que continha uma bala de verdade esquecida no cartucho quando a equipe colocou as balas de festim. E este não foi o único acidente fatal da franquia: o dublê Marc Akerstream foi atingido por destroços de uma explosão e morreu durante as filmagens da série ‘The Crow: Stairway to Heaven’, em 1998.

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Acidentes fatais acontecem praticamente desde quando o cinema foi criado. Nas décadas de 1920 e 1930, era comum que operadores de câmera e pilotos morressem em quedas de aviões durante filmagens aéreas. Aconteceu em  ‘The Skywayman’ (1920), ‘Anjos do Inferno’ (1930) e ‘Homens Perigosos’ (1930). Durante a produção de ‘A Carga da Brigada Ligeira’ (1936), um dublê que estava a cavalo caiu em cima de uma espada que estava enterrada com a ponta para cima. Neste mesmo filme, mais de 30 cavalos quebraram as pernas, o que levou os Estados Unidos a criar as primeiras leis para proteger animais em sets.

 Warner Bros/ReproduçãoNão só humanos, mas vários cavalos também ficaram feridos nas filmagens de ‘A Carga da Brigada Ligeira’ (1936). Imagem: Warner Bros/Reprodução

A aposta da indústria cinematográfica nos efeitos especiais feitos em computador também leva em conta a questão da segurança, já que muitos acidentes acontecem em cenas que exigem efeitos mais elaborados. Em ‘Rambo II: A Missão’ (1985), o técnico de efeitos especiais Cliff Wenger Jr foi morto por uma das explosões do filme, no México. No set de ‘Os Eleitos’ (1983), o dublê Joseph Leonard Svec foi sufocado pela fumaça dentro do seu capacete e ficou desacordado, o que lhe impediu de abrir seu paraquedas durante um salto.

Em ‘Triplo X’ (2002), o dublê de Vin Diesel, Harry L. O’Connor, foi morto ao não conseguir controlar seu rapel e atingir uma ponte em alta velocidade. Um figurante foi a vítima em ‘Troia’ (2004): George Camilleri, atleta fisiculturista, quebrou a perna enquanto filmava uma sequência de ação foi operado no dia seguinte, mas teve complicações e morreu duas semanas depois.

Acidentes automobilísticos são alguns dos mais comuns. O cinegrafista Alain Dutartre morreu nas filmagens de ‘Táxi 2’ (2000) quando um carro errou seu alvo original (uma pilha de papelão que deveria amortecer o choque) e atingiu vários membros da produção. A famosa cena de perseguição de ‘Batman: O Cavaleiro das Trevas’ (2008) tirou a vida do cinegrafista Conway Wickliffe. Ele estava numa picape que corria em paralelo aos carros dos dublês, e perdeu uma curva de 90 graus, colidindo com uma árvore.  A dublê Joi “SJ” Harris faleceu no set de ‘Deadpool 2’ (2018) após perder o controle de uma motocicleta e bater em uma janela de vidro.

Deadpool 2‘Deadpool 2’. Imagem: Twentieth Century Fox Film/Divulgação

Já outros casos são pura negligência da produção. Em ‘O Mistério de 4 Milhões de Dólares’ (1987), o dublê Dar Robinson sofreu um acidente e morreu sem a possibilidade de ser socorrido na hora, já que a equipe médica tinha sido dispensada mais cedo. Um dos trabalhadores que montam os sets foi imprensado entre dois guindastes com equipamentos em ‘O Guarda-Costas’ (1992), e outro foi esmagado por partes do cenário em ‘Jumper’ (2008), durante a desmontagem. Fora do set, o cinegrafista Brent Hershman morreu após adormecer ao volante, voltando para casa. Ele tinha trabalhado 19 horas seguidas nas filmagens de ‘A Vida em Preto e Branco’ (1998).

Em um dos casos mais famosos – e controversos – várias pessoas do elenco e da produção de ‘Sangue de Bárbaros’ (1956) faleceram de câncer nos anos seguintes ao lançamento do filme. O diretor Dick Powell morreu de câncer em 1963, o ator Pedro Armendáriz foi diagnosticado com câncer no rim em 1960 e cometeu suicídio em 1963, depois de saber que sua condição havia se tornado terminal. Os atores Susan Hayward, Agnes Moorehead, John Hoyt e o lendário John Wayne, protagonista do longa, também morreram de câncer. Das 220 pessoas que trabalharam no filme, 91  desenvolveram algum tipo de câncer e 46 morreram da doença.

Acontece que as cenas externas de ‘Sangue de Bárbaros’, uma cinebiografia de Gengis Khan (sim, John Wayne interpretou o guerreiro mongol, mesmo tendo nascido na Califórnia) foram filmadas em locações perto de St. George, no estado de Utah. A região fica a 220 km de um do local de testes de armas nucleares do governo dos Estados Unidos, em Nevada. E o pior: bem na direção do vento. Não só o elenco, mas até parentes que visitaram o set foram diagnosticados com a doença. Porém, até hoje não há certeza da relação entre os casos e a radiação na região.

 RKO Pictures/Reprodução‘Sangue de Bárbaros’ (1956) não foi, definitivamente, um dos pontos altos da carreira de John Wayne. Imagem: RKO Pictures/Reprodução

No caso mais recente, o ator Alec Baldwin disparou uma arma cenográfica durante as gravações do filme independente ‘Rust‘ no Novo México (EUA), atingindo a cinegrafista Halyna Hutchins e ferindo o diretor da produção, Joel Souza.

Hutchins, de 42, foi atingida na região do abdômen e transportada de helicóptero para o Hospital da Universidade do Novo México, em Albuquerque, onde resistiu por alguns momentos antes de falecer. Já Souza, 48 anos, foi levado de ambulância ao Centro Médico Regional Christus St. Vincent, em Santa Fé, onde recebeu tratamento de emergência para os ferimentos, segundo o gabinete do xerife do condado.

Halyna Hutchin veio a falecer após o acidente. Imagem: Instagram / Reprodução

Na produção, Baldwin é coprodutor e interpreta o infame fora-da-lei Rust, cujo neto de 13 anos (Noon) é condenado por um assassinato acidental. Já Ackles interpreta um Marechal responsável pelo caso fictício, enquanto Fimmel atua como um caçador de recompensas que está atrás da dupla avô e neto – que, no decorrer do filme, criam um vínculo inesperado enquanto fogem.

Em maio de 2020, foi anunciado que Alec Baldwin iria estrelar e produzir o longa. O filme começou a ser gravado em outubro de 2021, logo após Travis Fimmel, Brady Noon, Frances Fisher e Jensen Ackles confirmarem os nomes no elenco. A previsão de lançamento, segundo informações, estava para o fim de 2022.

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