Jamil Chade: "Bolsonaro ainda não entendeu que é o presidente"

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Formado em relações internacionais pela PUC-SP, Jamil Chade há mais de vinte anos é um dos correspondentes internacionais mais admirados e premiados no Brasil. De seu escritório na sede da ONU, em Genebra, na Suíça, ele já contribuiu com veículos internacionais como The Guardian, El Pais, BBC, CNN, entre outros.

Em entrevista ao "Jornalistas e Etc.", ele conta como conseguiu se infiltrar no bastidor de uma reunião de cúpula do G20, em Roma, na Itália, e mostrar o isolamento do presidente Jair Bolsonaro entre os líderes mundiais: "Estava conversando com o Tedros Ghebreyesus (diretor-geral da OMS), Guy Rider (diretor da OIT) e o António Guterres (secretário-geral da ONU) e eles começaram a caminhar em direção à antessala do G20, um local reservado e de altíssima segurança. Acompanhei os três e ninguém me barrou. Então comecei a gravar."

O vídeo, assistido por mais de 450 mil internautas, mostra Bolsonaro, num canto da sala, sem interlocutores para debater política. "Ele não sabia onde estava", conclui o jornalista.

Na conversa com a colunista Thaís Oyama, Jamil Chade também fala sobre o livro que escreveu a respeito da família da ex-presidente Dilma Rousseff: "É uma história curiosa, porque o pai dela sai da Bulgária e desaparece por dezoito anos. Quando ele volta a falar com a família na Europa, descobre que parte dela está brigando contra um regime ditatorial de esquerda, enquanto a filha que teve no Brasil trava uma luta contra a direita. A conclusão: ditadura é ditadura, não importa o lado."

Durante a entrevista, Jamil Chade também revela que antes de ser correspondente estudava música e que pretendia seguir esta carreira. "O Antônio Tabet, meu companheiro de 'My News', sempre brinca que sou um jornalista que leva a vida na flauta.

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