Empresas do Ibovespa perdem R$ 273 bi de valor em semana turbulenta; Petrobras lidera, com queda de R$ 30 bi

1 mês atrás 22

SÃO PAULO – A semana foi bastante conturbada para o Ibovespa, com o índice fechando em queda de 7,28%, a pior do período desde março de 2020. Com isso, o valor de mercado das companhias que fazem parte do índice tiveram uma queda de R$ 273,24 bilhões, passando de R$ 4,027 trilhões no fechamento de sexta passada (15) para R$ 3,753 trilhões no fechamento desta sexta (22), de acordo com levantamento feito pela consultoria Economática.

Da fala de Paulo Guedes, ministro da Economia, pedindo “licença” de R$ 30 bilhões para gastar de forma a viabilizar o Auxílio Brasil, a debandada de secretários da pasta por conta da mudança na regra do teto de gastos dando esse maior espaço para o governo gastar e os rumores de saída do ministro, o cenário para a economia brasileira passou por uma forte deterioração nos últimos dias, o que afetou diversos ativos na Bolsa.

Ainda que manifestações de apoio do presidente Jair Bolsonaro ao ministro da Economia tenham estancado rumores sobre demissão de Guedes nesta sexta-feira, amenizando perdas das ações brasileiras, elas não foram suficientes a ponto de debelar a piora das expectativas.

O dólar terminou a semana com alta de 3,2%,  cotado a R$ 5,63, com os investidores em busca de proteção com “ativos mais seguros”. A moeda americana chegou a operar acima de R$ 5,75 no momento mais agudo de aversão a risco.

Enquanto isso, para fazer frente à piora no quadro fiscal, o Banco Central deve intensificar o ritmo de aumento da Selic, hoje em 6,25% ao ano, avaliam economistas. “Não tem almoço grátis: fim do teto de gastos vai afetar o PIB e a inflação”, destacou o Credit Suisse em relatório.

Nesse ambiente, em termos de valor de mercado, na semana, as ações de blue chips como a Petrobras (PETR3, R$ 27,90, -7,49%; PETR4, R$ 27,18, -8,18%) e a Vale (VALE3, R$ 76,08, -5,70%) tiveram as maiores perdas, ainda que não tivessem a maior queda percentual.

A Petrobras perdeu cerca de R$ 30,376 bilhões de valor de mercado no período, indo de R$ 390,276 bilhões para R$ 359,9 bilhões, enquanto a Vale perdeu R$ 23,173 bilhões, indo de R$ 406,44 bilhões de valor para R$ 383,27 bilhões.

Os papéis da mineradora foram abalados ainda pela queda da commodity em meio às novas restrições da China, e no caso da petroleira, também pelo noticiário político. Na véspera, cabe ressaltar, as ações da Petrobras chegaram a cair forte logo após Bolsonaro falar de um auxílio diesel para caminhoneiros sem dar maiores detalhes (depois amenizando com mais informações sobre o programa) em meio à alta dos combustíveis.

Contudo, cabe ressaltar, Bolsonaro deu mais detalhes sobre o que seria o auxílio de R$ 400 até o fim de 2022 para ajudar os caminhoneiros a suportarem o custo do aumento do diesel e voltou a falar de aumento no preço de combustíveis.

O presidente ainda reconheceu que a Petrobras deve voltar a elevar os preços dos combustíveis nas refinarias nas próximas semanas, reforçando a política de preços da estatal. “Não temos bola de cristal, nós sabemos que aumentando o preço do petróleo lá fora e com a variação do dólar aqui dentro, um reajuste tem que ser cumprido em poucos dias pela Petrobras”, acrescentou o presidente da República.

Bolsonaro ainda voltou a reclamar que tudo que acontece com a Petrobras é colocado como sua responsabilidade. “Indicamos presidente, mas não temos ascendência sobre ela. A Petrobras é auditada e fiscalizada por quase uma dezena de órgãos. Não existe da nossa parte um congelamento de preços, sabemos que as consequências (de um congelamento) são piores que o aumento de preços em si”, concluiu.

Ainda no radar, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), presidente do Senado, disse defender a participação da Petrobras no debate sobre a possibilidade de mudança no anos de referência usados no cálculo do ICMS. O presidente do Senado busca alterar o projeto aprovado na Câmara que altera a cobrança do ICMS de combustíveis. A ideia é mudar os anos-base de cálculo de 2019/20 para 2020/21, na tentativa de amenizar o atrito com os governos estaduais.

A varejista Magazine Luiza (MGLU3, R$ 12,42, -14,70%) teve perdas de R$ 14,185 bilhões de valor, indo de R$ 96,5 bilhões para R$ 82,32 bilhões na semana.

Cenário de altas de juros abala ações de “techs”

Já em termos percentuais, as maiores quedas para o Ibovespa foram de ações que são bastante impactadas pelo ambiente de aumento de taxas de juros, com diversas casas (como o Credit, XP e Bradesco BBI) agora vendo a Selic a dois dígitos (ou seja, acima de 10%) no ano que vem.

Para a próxima reunião, da semana que vem, crescem as apostas de uma alta de juros de 1,25 ponto e 1,5 ponto percentual e até além. De acordo com a Bloomberg, a precificação de alta da Selic na próxima reunião superou os 160 pontos, de 147 na véspera, após o ministro da Economia, Paulo Guedes, dizer que o BC não “poderia ficar atrás da curva” e teria de ficar de olho na inflação, disse o ministro.

Banco Inter (BIDI4, R$ 13,60, -21,39%; BIDI11, R$ 40,14, -20,17%), Méliuz (CASH3, R$ 3,91, -21,01%) tiveram baixas superiores a 20%, com o mercado precificando essas altas mais aceleradas de juros. Em termos de valor de mercado, o Banco Inter perdeu R$ 8,74 bilhões, indo de R$ 43,1 bilhões para R$ 34,36 bilhões.

O avanço nas taxas tende a afetar especificamente o setor de tecnologia, que possui fluxos de caixa mais longos e são mais impactadas pelo aumento nas taxas de juros de longo prazo.

Além delas, as construtoras também foram bem impactadas, com empresas como a EzTec (EZTC3, R$ 19,78, -18,53%) e Cyrela (CYRE3, R$ 15,18, -16,50%) entre as maiores perdas. As empresas de construção civil tendem a ser negativamente afetadas por juros mais altos. Isso porque a taxa de financiamento mais alta tende a pesar mais no bolso dos clientes, que passam a evitar gastar quando possível.

Entre as poucas altas na semana, se destacaram empresas como Klabin (KLBN11, R$ 24,20, +4,40%) e Suzano (SUZB3, R$ 52,80, +3,71%), em meio à alta do dólar e com analistas, como do Bradesco BBI, destacando as ações como boas alternativas com os investidores em busca de “lugares para se abrigarem” no mercado acionário em meio ao ambiente mais conturbado.

Suzano teve o maior avanço de valor de mercado, de R$ 68,69 bilhões para R$ 71,238 bilhões (ou cerca de R$ 2,55 bilhões), enquanto a Klabin teve alta de R$ 995 milhões, de R$ 26,84 bilhões para R$ 27,83 bilhões.

Confira as variações de valor de mercado das empresas do Ibovespa, conforme levantamento da Economática: 

Nome Valor de mercado em 15 de outubro (em R$ milhares)Valor de mercado em 22 de outubro (em R$ milhares)Variação (em R$ milhares) 
Petrobras390.276.007359.899.797-30.376.210
Vale406.442.686383.269.206-23.173.480
Magazine Luiza96.513.13782.327.827-14.185.310
Santander Brasil141.287.333130.154.188-11.133.144
Itaú Unibanco228.960.951218.814.473-10.146.478
Rede D’Or129.504.763120.022.073-9.482.690
Banco Inter43.104.00834.363.509-8.740.500
Ambev244.398.110236.057.415-8.340.695
Bradesco192.029.694183.775.926-8.253.768
Banco do Brasil90.110.35382.491.777-7.618.576
Localiza42.596.63335.992.387-6.604.246
Eletrobras61.703.59055.539.544-6.164.045
Grupo Natura60.826.65154.956.204-5.870.447
Hapvida50.629.29345.181.098-5.448.194
WEG168.340.729163.179.735-5.160.994
Intermedica44.859.43740.425.763-4.433.674
Cosan43.405.11639.055.270-4.349.846
Carrefour BR37.025.70333.412.471-3.613.232
Vibra28.600.75025.059.150-3.541.600
Braskem45.682.91642.148.790-3.534.126
CSN38.077.36034.627.074-3.450.286
Americanas33.684.07130.329.156-3.354.916
Lojas Renner32.018.98728.705.134-3.313.853
Rumo S.A.33.992.18630.713.375-3.278.810
BTG130.926.529127.653.681-3.272.848
B379.857.72776.639.127-3.218.600
BRF SA20.848.36417.792.652-3.055.712
Banco Pan20.534.15617.593.819-2.940.337
Telefônica Brasil77.793.72675.080.971-2.712.755
Cemig27.349.15324.697.581-2.651.572
Gerdau45.083.48842.535.950-2.547.539
CCR SA25.714.54923.290.554-2.423.995
Raia Drogasil37.986.67535.593.944-2.392.731
Usiminas19.975.14917.652.651-2.322.498
Sabesp26.684.22524.387.632-2.296.593
Azul12.172.9889.975.562-2.197.426
Totvs21.458.82419.385.302-2.073.522
Locamerica12.699.76110.633.771-2.065.990
Alpargatas25.461.05223.446.989-2.014.063
Energisa20.310.29318.318.968-1.991.325
Assai23.582.17921.659.573-1.922.606
Grupo Soma13.576.13011.677.041-1.899.089
Via13.000.02011.131.466-1.868.553
Eneva19.501.01617.716.692-1.784.324
Ultrapar16.442.28214.719.550-1.722.732
TIM30.413.82628.720.137-1.693.690
JBS95.390.53393.708.205-1.682.328
Petz9.365.1717.698.588-1.666.583
Multiplan12.004.10210.420.557-1.583.545
Dexco12.922.63111.382.913-1.539.718
Equatorial24.228.86322.726.222-1.502.641
Marfrig18.577.92817.188.860-1.389.068
Yduqs Part8.145.1546.837.944-1.307.210
Hypera18.948.15717.671.463-1.276.694
Gol7.323.0016.071.692-1.251.309
Pão de Açúcar8.320.0057.070.392-1.249.613
Ecorodovias6.921.4295.766.698-1.154.731
Cyrela6.990.2835.836.771-1.153.512
Locaweb12.908.18711.813.479-1.094.708
Copel17.471.33916.395.091-1.076.248
CPFL Energia30.050.79628.979.199-1.071.597
brMalls7.129.5026.057.967-1.071.535
PetroRio23.280.88622.223.427-1.057.459
Embraer18.865.37517.814.850-1.050.525
Eztec5.511.5604.490.060-1.021.500
Cogna5.812.9984.897.124-915.874
MRV5.982.8095.089.492-893.317
Méliuz3.977.8103.142.068-835.742
Iguatemi5.881.2025.045.564-835.638
Minerva6.134.4325.331.796-802.636
CVC Brasil4.559.2233.846.212-713.011
Cielo7.077.9176.375.528-702.389
Fleury6.761.2736.169.622-591.651
Engie Brasil31.454.01430.899.184-554.831
JHSF4.083.0353.691.887-391.148
Taesa13.061.93312.735.652-326.281
Qualicorp5.516.2955.195.481-320.814
Sul América10.764.10910.477.100-287.009
IRB Brasil6.502.3846.288.986-213.399
Energias BR11.123.27811.053.576-69.702
BB Seguridade43.288.16443.268.197-19.967
Lojas Americanas9.768.00810.285.965517.956
Klabin26.838.94527.834.562995.618
Suzano68.688.87171.238.8992.550.029
Total 4.027.074.1763.753.826.226-273.247.951

(com informações da Reuters e Estadão Conteúdo)

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