Em manifestação ao TSE, PF diz que ainda analisa invasão a grupo do Facebook em 2018

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O episódio é o centro de duas ações que tramitam no TSE e que podem levar à cassação da chapa de Bolsonaro e de seu vice, Hamilton Mourão

Marcello Casal Jr./Agência Brasil

A Polícia Federal (PF) afirmou, em manifestação enviada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que ainda está analisando os dados recebidos de provedores e operadoras sobre a invasão hacker que teria turbinado a candidatura do presidente Jair Bolsonaro em 2018.

De acordo com o documento, assinado pelo perito Elcio Ricardo de Carvalho, ainda não foi possível determinar com "precisão" a participação do principal suspeito de invadir o grupo no Facebook denominado “Mulheres unidas contra Bolsonaro”. O suspeito é apontado como um homem de 22 anos nascido em Bauru, no interior de São Paulo.

O perito, no entanto, disse que "é possível afirmar que se trata de pessoa de interesse para o esclarecimento da ocorrência".

Já o Ministério Público de São Paulo informou que não existem "procedimentos investigatórios criminais, inquéritos policiais ou processos criminais" abertos contra o suspeito.

No fim de setembro, o corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Luis Felipe Salomão, determinou o aprofundamento das investigações sobre o possível financiamento do ataque.

O episódio é o centro de duas ações que tramitam no TSE e que podem levar à cassação da chapa de Bolsonaro e de seu vice, Hamilton Mourão. Os processos são de autoria das coligações dos então candidatos Marina Silva (Rede) e Guilherme Boulos (Psol).

Nessas ações, a Justiça Eleitoral apura se a chapa tirou vantagem de uma invasão ao grupo de Facebook responsável pelo movimento #EleNão, que tomou as ruas do país durante a campanha eleitoral. Com o ataque, o nome do grupo, composto por mais de 2,7 milhões de perfis, foi alterado para "Mulheres com Bolsonaro #17".

Para a Procuradoria-Geral Eleitoral, é necessário esclarecer supostas transações indevidas, no valor de R$ 36 mil, feitas pelo suspeito por meio de uma plataforma de pagamento virtual.

As informações sobre essa movimentação financeira foram trazidas aos autos pelo advogado de Marina, Rafael Mota. A defesa da ex-candidata do Rede disse ter encontrado, em consultas públicas de processos judiciais na comarca de São Paulo, uma ação segundo a qual o bolsonarista teve a sua conta na plataforma de pagamentos bloqueada por uma série de irregularidades, como supostas vendas de produtos a CPFs inexistentes.

A proximidade das datas entre as operações suspeitas e a invasão ao grupo do Facebook chamou a atenção do advogado. Além disso, uma das contas de e-mail utilizadas por ele nas transações financeiras virtuais é compatível com o localizado pela Polícia Federal ao investigar a invasão do grupo.

Segundo a petição enviada por Mota ao TSE, os indícios podem "demonstrar que os atos criminosos foram patrocinados por terceiros, os quais, de forma organizada, estavam interessados em suprimir a livre e democrática manifestação de mulheres, em benefício da campanha do então candidato à presidência Jair Bolsonaro".

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