De Kung Fu a oficina de memória, SP oferece 70 ações públicas para maiores de 60 anos

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"Acabei de voltar da aula de zumba. Às vezes esqueço que tenho 71 anos". É assim que a aposentada Ivone Rodrigues Ciocci inicia a conversa com a reportagem. Ela também luta kung fu e joga capoeira no Polo Cultural da Terceira Idade, no Cambuci, no centro de São Paulo.

Essas atividades fazem parte Plano Intersetorial de Políticas Públicas para o Envelhecimento, lançado pela Prefeitura de São Paulo em outubro de 2021 com o compromisso de implementar 70 ações para pessoas acima de 60 anos até 2024 em áreas como cultura, lazer, saúde e cuidado domiciliar, espalhadas em vários cantos da cidade.

De acordo com Raíssa Monteiro Saré, coordenadora de Promoção e Defesa de Direitos Humanos da prefeitura, o programa pretende mostrar que os idosos têm valor à sociedade.

"O objetivo é que eles interajam e conheçam outras pessoas, além de aproveitar todos os serviços que oferecemos, inclusive na área de saúde e cuidados no dia a dia, justamente para desfrutarem de suas autonomias."

Atividades na região central de SP

  • Kung fu e capoeira
  • Teatro
  • Oficina de memória e hatha ioga
  • Padaria artesanal ajuda a criar pratos saudáveis
  • Conhecimento digital dá dicas para usar tablets e celulares

O projeto surge em um momento de aumento da expectativa de vida no país. Atualmente, 15% da população da capital paulista tem 60 anos ou mais e previsão da Fundação Seade aponta que esse percentual vai dobrar até 2050. De acordo com a estimativa do IBGE, de 2021, a cidade tem 12,4 milhões de habitantes.

Muito mais do bem-estar ou passatempo, os mais velhos precisam de autonomia, saúde e plenitude para chegar com essa disposição a qualquer idade. Para isso, eles devem ser vistos e ouvidos. É assim que a antropóloga Mirian Goldenberg, 65, uma das maiores estudiosas da velhice do país, descreve a qualidade de vida na maturidade.

Para a especialista —colunista da Folha e autora de 30 livros, entre eles "A Invenção de uma Bela Velhice" —, o Estado, a sociedade e a família não devem ser obstáculos nesse processo, e, sim, facilitadores.

"Não podemos roubar a autonomia dos mais velhos. É preciso combater o que chamo de ‘velhofobia’, que está impregnada dentro das nossas próprias casas, de nós mesmos", afirma Mirian.

Atividades na zona norte de SP

  • Danças circular e livre
  • Passeios culturais
  • Caminhadas
  • Uso de quadras e piscinas
  • Centros Educacionais Unificados tem cursos como administração e aprendizagem de instrumentos

Por essa razão, uma das ideias do programa da prefeitura é usar o conhecimento e as lembranças dos mais velhos para um intercâmbio com as novas gerações. Um dos exemplos é o programa Brincando Como Antigamente, da secretaria de Esportes, que em breve estará disponível nas unidades da prefeitura.

Ali, os idosos vão encontrar jovens para contar histórias de suas próprias infâncias, além de ensiná-los a construir brinquedos do passado, como pião, pular corda, futebol de botão, amarelinha e taco, e, claro, a interagir com eles.

Raíssa cita o retorno das atividades no Polo Cultural da Terceira Idade, em novembro de 2021, frequentado por Ivone, e que oferece aulas de culinária, danças variadas, artesanato, pintura em tecido e oficina da memória, entre outras.

Atividades na zona sul de SP

  • Tai chi chuan
  • Pintura em tela
  • Empréstimo de livros em bibliotecas
  • Atividades físicas
  • Ações de autocuidado e autonomia ajudam idosos debilitados a cozinhar, tomar banho e arrumar a casa

Além dessas atividades, que já existiam em sua maioria antes do programa, a coordenadora afirma que no Polo Cultural os idosos podem se voluntariar para ensinar aos demais sobre algum assunto que eles dominem.

"Já temos idosos ensinando francês e espanhol, por exemplo, a outros idosos. Também contratamos professores de dança e ioga. Então, isso mostra como estamos abertos a receber ajuda das próprias pessoas da terceira idade", afirma Raíssa.

A ideia da prefeitura, explica a coordenadora, é que todas as 469 UBSs (Unidades Básicas de Saúde) da capital paulista tenham alguma atividade para envelhecimento ativo. "Assim, conseguimos alcançar as pessoas na cidade toda."

Ivone, a aposentada do início desta reportagem, conta que enfrentava problemas pessoais que a deixavam muito angustiada quando ela começou a frequentar as aulas variadas da prefeitura.

"Eu percebi que se não levantasse do sofá, não levantaria mais. Dei esse primeiro passo e não parei mais. Faço todas as aulas que me dão na telha, e tem sido maravilhoso."

Atividades na zona leste de SP

  • Programa Vem Dançar (bailes temáticos)
  • Culinária
  • Rodas de música
  • Suporte domiciliar para ir ao banco, alimentação e fazer compras
  • Treinamento de profissionais para o cuidado ao idoso

Para Mirian, as políticas públicas propostas pela prefeitura parecem viáveis e são necessárias. "O mais importante é tirar tudo isso do papel, imediatamente, agora, já."

Em outra vertente do projeto é o Recorda SP, o idoso responde a um questionário online que o estimula a reviver antigas memórias dele e da cidade de São Paulo, além de receitas de família. O resultado dessa coleta de dados será o lançamento de dois livros "Vidas Paulistanas e "A Cozinha dos Avós".

Atividades na zona oeste de SP

  • Jogos e brincadeiras
  • Cinema e exposições
  • Roda de histórias
  • Oficinas de tapeçaria e artesanatos
  • Acompanhantes levam idosos a consultas, exames, mercado e cinema

Serviço

Confira mais informações e os endereços no site www.prefeitura.sp.gov.br

* A maioria das atividades citadas já estão disponíveis nas cinco regiões da cidade

Fonte