Crítica - Um Crush para o Natal

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Chegamos no último mês do ano, cada vez mais próximos da noite de Natal, consequentemente, mais motivos para a Netflix liberar uma baciada de produções natalinas para encantar aqueles mais ávidos pelas festividades de fim de ano, seja para agradecer pelo ano que passou ou para desejar que acabe logo de uma vez para que se inicie um novo ciclo.

O primeiro longa-metragem dessa nova safra é Um Crush para o Natal, comédia romântica estrelando Michael Urie e Philemon Chambers. Sim, é exatamente isso o que leram! Esta produção Netflix é uma história natalina LGBTQ que apresenta as complicações do amor envolvendo dois homens.

Em 2020, tivemos com Alguém Avisa? de Clea DuVall, uma amostra do que deve se tornar uma nova tendência (muito bem-vinda) no território do audiovisual, que começa a desenvolver e compartilhar histórias protagonizadas por personagens da comunidade LGBTQ onde geralmente tínhamos um casal heterossexual em destaque.

Seguindo com Um Crush para o Natal, que narra a vida de Peter (Michael Urie), desesperado para evitar o julgamento de sua família sobre seu perpétuo status de solteiro, que acaba convencendo seu melhor amigo Nick (Philemon Chambers) a se juntar a ele nas férias e fingir que agora eles estão em um relacionamento. Mas quando a mãe de Peter (Kathy Najimy) o coloca em um encontro às cegas com o belo treinador James (Luke Macfarlane) – todo o plano vai para os ares. E agora, o que fará Peter entre dois pretendentes, além de sua família que o pressiona a buscar um relacionamento sério?

Aqui temos o claro exemplo da narrativa que resolveu substituir as peças, mas manteve a velha estrutura estipulada pelo sistema hollywoodiano sobre como funcionam as férias de fim de ano, passando pela noite de Natal, às vezes indo até a virada do ano novo.

Geralmente no gênero das comédias românticas percebemos que o par romântico baseia-se em características da personalidade, portanto não existe qualquer mudança ou virada construtiva, apenas aquele momento de “epifania” que traduz o que o público já sabia a partir do momento que sentou na poltrona da sala de cinema, ou apertou o ‘play’ da plataforma Netflix.

Tal previsibilidade costuma jogar contra o subgênero cinematográfico que se vê engessado em normas ou padrões repetitivos, onde mudam-se os cenários e roupas, mantendo todo o resto. Isso também se aplica em Um Crush para o Natal, inclusive nas ações do casal gay protagonista.

Ambos atores são carismáticos, mas completamente presos à estrutura. Isto posto, ganhamos mais um exemplar que apesar dos ideais progressistas de produção, continuam enrijecendo algo ainda enraizado de outros tempos.

Podemos comparar com Oito Mulheres e um Segredo (2018), que substituiu o elenco masculino pelo feminino, porém preservando os arquétipos das personagens originais, ou seja, alterou sem mudar nada.

Apesar do típico ‘mais do mesmo’, Um Crush para o Natal conta com um detalhe que fez toda a diferença, tornando a experiência bem mais agradável: o elenco coadjuvante.

É através deles que soltará algumas boas risadas, até pontuais gargalhadas, aqui e acolá. Eles ficaram responsáveis pela comédia, normalmente presentes neste tipo de filme.

Todos são baseados em estereótipos batidos de obras hollywoodianas, mesmo assim, ainda conseguem entreter o assinante Netflix: temos a mãe intrometida e orgulhosa de seu filho gay, que lê livros sobre LGBTQ para se manter “antenada” com tudo; a famosa tia louca que adora ser o centro das atenções; a irmã tagarela sem-noção que tenta manipular todos os movimentos da família; além das duas sobrinhas moderninhas que adoram causar.

Se a nova rom-com natalina perde pontos por seguir as normas estruturais, ganha muitos pontos a mais por ter feito boa parte do elenco coadjuvante brilhar como a estrela no topo da árvore de Natal.

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