Conheça os melhores livros de economia de 2021

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O jornal britânico Financial Times divulgou na semana passada a lista de leituras obrigatórias do segundo semestre de 2021, selecionados por seu colunista e comentarista-chefe Martin Wolf. Temas como transformações tecnológicas das finanças, globalização e economia comportamental estão entre suas recomendações.

Confira a lista completa abaixo:



The Future of Money: How the Digital Revolution is Transforming Currencies and Finance [O futuro do dinheiro: como a revolução digital está transformando moedas e finanças], de Eswar S. Prasad (Belknap, 28,95 libras, R$ 216; Harvard University Press, US$ 35, R$ 196)

As tecnologias digitais também estão transformando o mundo das finanças. Prasad, de Cornell, fornece uma visão geral valiosa do que isso pode significar: o dinheiro físico desaparecerá; o dinheiro do banco central competirá com as novas versões privadas; a intermediação financeira será transformada; e novas oportunidades se abrirão para a população mundial. Mas com as oportunidades vêm os riscos. Como Prasad resume: "Um futuro glorioso aguarda, talvez".



The Resilient Society [A sociedade resiliente], de Markus K. Brunnermeier (Endeavour, US$ 24, R$ 134,45)

Neste importante livro, Brunnermeier, de Princeton, afirma que "a resiliência pode servir como estrela-guia para uma sociedade pós-Covid". A crise financeira global e a pandemia nos ensinaram que precisamos ser resilientes se quisermos reagir aos choques com sucesso. Resiliência não é o mesmo que "robustez". É "ser capaz de resistir a uma tempestade e se recuperar". Devemos fazer isso melhor.



Cogs and Monsters: What Economics Is, and What It Should Be [Engrenagens e monstros: o que é a economia, e o que deveria ser], de Diane Coyle (Princeton University Press, 20 libras, R$ 149,33; US$ 24, R$ 134,45)

Coyle, hoje na Universidade de Cambridge, é uma comentarista de economia excepcionalmente ponderada. Neste livro, ela rejeita o que chama de argumentos de "espantalho" de muitos críticos de economia, embora admita como é difícil para os economistas serem objetivos. Em vez disso, ela se concentra em duas outras fraquezas: primeiro, o pressuposto da "engrenagem" econômica racional se tornou ainda mais irreal na era dos "monstros" digitais em "bola de neve"; e, em segundo lugar, os praticantes de economia estão totalmente alijados da sociedade que estudam.



An Economist at Home and Abroad: A Personal Journey [Um economista em casa e no exterior: uma jornada pessoal], de Shankar Acharya; (HarperCollins India, US$ 24, R$ 134,45)

Acharya é meu amigo desde que nos conhecemos, em 1971, quando trabalhamos juntos no Banco Mundial. Posteriormente, ele voltou para a Índia, onde foi o principal assessor econômico durante mais tempo no Ministério das Finanças, servindo a três ministros de Finanças reformadores, notadamente Manmohan Singh. Desde então, ele tem sido o analista mais informado do desempenho da economia indiana. Nesta adorável autobiografia, ele relata sua vida pessoal e profissional com charme e perspicácia.



Three Days at Camp David: How a Secret Meeting in 1971 Transformed the Global Economy [Três dias em Camp David: como um encontro secreto em 1971 transformou a economia global], de Jeffrey E. Garten (HarperCollins, US$ 29,99, R$ 168/Amberley, 20 libras, R$ 149,33)

Em uma reunião secreta em Camp David no fim de semana de 13 a 15 de agosto de 1971, o presidente Richard Nixon e seus conselheiros seniores decidiram cortar a ligação entre o dólar e o ouro. Este não foi apenas o fim definitivo do padrão-ouro, mas também marcou o início de uma nova ordem monetária. Neste livro notável, Garten explica em detalhes o que aconteceu e tira lições para hoje.



Sustainable Futures: An Agenda for Action [Futuros sustentáveis: uma agenda para a ação], de Raphael Kaplinsky (Polity, 18,99 libras, R$ 141,78/Wiley, US$ 21,50, R$ 120,44)

Nossa era é marcada pela turbulência intelectual. As pessoas procuram novos paradigmas. Kaplinsky, especialista em inovação, define nosso desafio como o esgotamento do paradigma da "Produção em Massa" e sua substituição pelo paradigma das "Tecnologias de Informação e Comunicação". Nossa tarefa, argumenta ele, é construir um mundo próspero e ambientalmente sustentável neste novo contexto.



The New Economics: A Manifesto [A nova economia: um manifesto], de Steve Keen (Polity, 12,99 libras, R$ 96,98/ Wiley, US$ 14, R$ 78,42)

Keen é um dos principais economistas heterodoxos do mundo. Este livro é um ataque feroz à falta de realismo da economia neoclássica que beira a crença religiosa. Ele é particularmente eficaz em perfurar as suposições complacentes das crenças convencionais em macroeconomia, economia monetária e economia ambiental. Muito do que ele escreve faz sentido, especialmente sobre os méritos da "economia biofísica" e pós-keynesiana. As suposições simplificadoras da economia convencional são realmente perigosas.



The Age of Unpeace: How Connectivity Causes Conflict [A era sem paz: como a conectividade causa conflitos], de Mark Leonard (Bantam Press, 18,99 libras, R$ 141,78/US$ 36,95, R$ 206,99)

Leonard, diretor do Conselho Europeu de Relações Exteriores, escreveu um livro que tem o duplo mérito de ser curto e importante. Criamos um mundo interconectado que trouxe grandes benefícios. Mas também levou a uma reação tribal, com "líderes populistas promovendo a glória nacional acima do entendimento global". Sua conclusão, correta, é que "se as conexões essenciais para o nosso bem-estar também estão se transformando em armas mortais, precisamos encontrar maneiras de torná-las menos perigosas".



The Economist’s View of the World: And the Quest for Well-Being [A visão de mundo da The Economist: e a busca pelo bem-estar], de Steven E. Rhoads (Cambridge University Press, 20 libras, R$ 149,33)

Esta é uma versão do 35º aniversário de um clássico. Rhoads, professor emérito de política na Universidade da Virgínia, desenvolveu a melhor explicação que conheço sobre como os economistas ortodoxos pensam sobre opção, mercados, externalidades e outros conceitos. A nova edição será valiosa para não economistas e economistas: os primeiros aprenderão como os economistas pensam; e os últimos, alguns dos limites de como eles pensam.



Six Faces of Globalization: Who Wins, Who Loses, and Why It Matters [Seis faces da globalização: quem ganha, quem perde e por que isso é importante], de Anthea Roberts e Nicolas Lamp (Harvard University Press, 28,95 libras, R$ 216,15 /US$ 35, R$ 196)

Este é um livro interessante e original. Seu ponto de partida é que as pessoas têm diferentes "narrativas" da globalização. Os autores distinguem seis dessas narrativas: a narrativa do "establishment"; a narrativa "populista de esquerda"; a narrativa "populista de direita"; a narrativa do "poder corporativo"; a narrativa "geoeconômica"; e a narrativa das "ameaças globais". A conclusão deles é que a melhor abordagem é sintetizar os opostos aparentes. Não existe uma verdade, mas sim muitas verdades parciais.



Nudge: The Final Edition [Nudge: a edição final], de Richard H. Thaler e Cass R. Sunstein (Allen Lane, US$ 18, R$ 100,83)

"Nudge", publicado originalmente em 2008, foi um best-seller imensamente influente e importante sobre como influenciar as pessoas a tomarem melhores decisões, assim melhorando as compensações entre a tolice de baixo para cima, por um lado, e o comando de cima para baixo, por outro. Os autores chamaram isso de "paternalismo libertário". Aqui, eles revisaram substancialmente a versão anterior à luz de novas ideias, desenvolvimentos e pesquisas. O título representa um compromisso para garantir que eles não escrevam outra versão. Então leia agora: esta é a edição definitiva.

Samuelson Friedman: The Battle Over the Free Market [Samuelson Friedman: a batalha pelo mercado livre], de Nicholas Wapshott (WW Norton, US$ 28,95, R$ 162,18)

Esta é uma continuação de "Keynes x Hayek", do mesmo autor. Seu foco está no debate entre Paul Samuelson, do MIT, e Milton Friedman, de Chicago, cujas visões contrastantes agraciaram as páginas da Newsweek durante 18 anos. Samuelson foi o economista de um economista: sua influência metodológica foi profunda. Friedman teve uma grande influência na economia monetária. Mas sua influência política foi indiscutivelmente ainda maior. Ao se concentrar nesses dois homens, Wapshott ilumina debates que permanecem atuais até hoje.



The Magic Money Tree and Other Economic Tales [A árvore mágica do dinheiro e outros contos econômicos], de Lorenzo Forni (Agenda, 14,99 libras, R$ 111,92/US$ 25, R$ 784,59)

As restrições orçamentárias são importantes. Isso é verdade para famílias e para empresas privadas. Também vale para os governos. Aqueles que esquecem esta simples lição de história cairão no caos. Esse é o tema deste pequeno livro de Forni, da Universidade de Pádua (Itália). Ele conduz o leitor pelas realidades básicas de orçamento, crédito e dinheiro. É função dos governos e bancos centrais estabilizar as economias por meio da política fiscal e monetária, como Keynes nos ensinou. Mas não se pode criar crescimento em longo prazo simplesmente criando grandes volumes de dinheiro. Se esquecermos essa verdade, é provável que acabemos parecendo um pouco com a Argentina contemporânea.

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