Chefe do Banco Mundial diz que pressão para alterar dados de relatório 'fala por si'

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O presidente do Banco Mundial, David Malpass, disse nesta segunda-feira (20) que uma investigação de um escritório de advocacia detalhando a pressão de funcionários do alto escalão do Banco Mundial em 2017 e 2019 para impulsionar a classificação de certos países no relatório anual Doing Business do banco "fala por si".

À CNBC, Malpass disse que, depois de descontinuar o relatório que classifica os climas de negócios dos países, "estamos fazendo questão de encontrar a melhor maneira possível para os países trabalharem para melhorar seus climas de negócios, então estaremos olhando para novas abordagens para fazer isso".

Na quinta-feira (16), o banco anunciou que cancelaria a série "Doing Business" sobre clima de negócios nos países, citando auditorias internas e uma investigação independente, que apontaram que líderes do alto escalão da instituição —incluindo Kristalina Georgieva, que agora dirige o Fundo Monetário Internacional (FMI)— pressionaram a equipe a alterar dados para favorecer a China durante o tempo de Georgieva como presidente executiva do órgão.

Georgieva negou veementemente as conclusões das investigações.

Revisão externa encontra mais problemas

Semanas antes de o Banco Mundial descontinuar o Doing Business, vitrine do organismo, um grupo de consultores externos recomendou uma revisão dos rankings do documento para limitar esforços de países para "manipular suas pontuações".

Uma análise de 84 páginas —escrita por acadêmicos e economistas e que inclui um ex-ministro das Finanças colombiano— foi publicada no site do banco nesta segunda-feira, cerca de três semanas depois de ser submetida à economista-chefe do Banco Mundial, Carmen Reinhart.

A revisão publicada nesta segunda-feira foi escrita por um grupo reunido pelo Banco Mundial em dezembro de 2020, depois que uma série de auditorias internas revelou irregularidades nos dados de relatórios sobre China, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Azerbaijão.

O documento pede uma série de ações corretivas e reformas para abordar a "integridade metodológica" do relatório Doing Business, citando o que chamou de "um padrão de esforços governamentais para interferir" na pontuação dos relatórios nos anos anteriores.

Os especialistas criticaram a série Doing Business por falta de transparência em relação a dados e questionários usados ​​para calcular as classificações. Eles pediram uma separação entre a equipe do Doing Business e as de outras operações do Banco Mundial e a criação de um conselho externo permanente de revisão.

Os autores também defenderam que o banco parasse de vender serviços de consultoria a governos com o objetivo de melhorar a pontuação de um país, observando que isso constituía um aparente conflito de interesses.

Em dezembro de 2020, disse a revisão, uma auditoria interna relatou que a administração do banco havia pressionado nove de 15 funcionários a manipular dados nas edições de 2018 e 2020 do índice Doing Business, levando a Arábia Saudita ao ponto "mais reformado" globalmente e impulsionando o rankings dos Emirados Árabes Unidos e da China, enquanto o Azerbaijão caiu do top 10 do ranking, relataram os consultores externos.

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