Barbados nomeia Rihanna herói nacional após ilha deixar monarquia britânica

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A ilha de Barbados se despediu da monarquia britânica à meia-noite desta terça (30), quando se tornou uma república após intensos debates sobre a herança escravocrata do período colonial. Durante o evento de celebração, a cantora Rihanna, criada na capital do país, Bridgetown, recebeu o título de herói nacional.

O país já havia dado à várias vezes ganhadora do Grammy o título de embaixadora extraordinária e plenipotenciária, uma forma de aumentar a promoção do turismo e da educação na ilha.

Assim, Rihanna, dona de uma fortuna de US$ 1,7 bilhão, soma-se a um seleto grupo de outros dez cocidadãos designados heróis nacionais de Barbados. Para a primeira-ministra Mia Mottley, a cantora, autora dos hits "Umbrella" e "Diamonds", incutiu "imaginação ao mundo por meio da busca por excelência com sua criatividade, disciplina e, acima de tudo, extraordinário compromisso com sua terra natal".

A mudança de sistema político ocorre depois de 400 anos de ligação do país caribenho ao trono britânico, o que fazia da rainha Elizabeth 2ª a chefe de Estado da ilha —agora, a posição passa para Sandra Mason, até então governadora-geral, eleita para o cargo em outubro. Para o trono britânico, a medida levanta temores de que outras ex-colônias ainda ligadas ao Reino Unido decidam fazer o mesmo.

O príncipe Charles, primeiro na linha de sucessão ao trono britânico, participou da cerimônia e disse que a mudança "oferece um novo começo". "Desde os dias mais sombrios de nosso passado e da terrível atrocidade da escravidão que mancha a nossa história, o povo desta ilha abriu seu caminho com firmeza."

O tom do discurso de Charles, ao se referir de maneira clara aos crimes da escravidão, foi bem recebido –o tema é, historicamente, um elefante branco na sala da monarquia britânica. Lord Woolley, fundador da organização Operation Black Vote, no Reino Unido, caracterizou a fala como "muito corajosa".

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As falas do príncipe ajudam a alavancar um debate incômodo, disse Woolley ao jornal britânico The Guardian. "Estar com o príncipe Charles aqui, dizendo 'tivemos um passado muito sombrio, mas Barbados tem um futuro muito brilhante' é o início de uma conversa adulta liderada por um futuro rei", afirmou.

A rainha Elizabeth, que recentemente recebeu orientações médicas para repousar, não estava presente, mas enviou uma mensagem. Disse desejar aos barbadianos "votos de felicidade, paz e prosperidade".

O nascimento da república 55 anos depois de Barbados declarar independência desfaz todos os laços coloniais mantidos com o Reino Unido. "Trata-se do ponto final desta página colonial", disse Winston Farrell, um poeta local. "Estamos saindo dos canaviais, resgatando a nossa história."

Ao anunciar a decisão de cortar laços com a monarquia no ano passado, a primeira-ministra Mottley, que liderou a cerimônia de transição, disse que chegou a hora de Barbados "deixar para trás o passado colonial", embora alguns no país digam que o rompimento já devesse ter sido feito há muito tempo.

Ao Guardian o historiador barbadiano Hilary Beckles, vice-reitor da Universidade das Índias Ocidentais, argumentou que a relação com o trono britânico prejudicava inclusive a dignidade dos cidadãos. "Isso reduz psicologicamente o cidadão de uma nação em que os funcionários públicos têm de jurar fidelidade a um soberano que não faz parte de sua realidade." Uma pesquisa de opinião compartilhada com o jornal mostrou que mais de 60% dos cidadãos da ilha de diziam favoráveis à formação de uma república.

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