Atelex usa nome da Vivo para vender portabilidade e Procon-SP pede explicações

1 semana atrás 21

O Procon-SP notificou a operadora Vivo e a empresa Atelex do Brasil Telecomunicações devido a reclamações sobre a oferta de serviços de digitalização de linhas telefônicas. De acordo com o órgão de defesa do consumidor, há relatos de clientes que foram surpreendidos com a ocorrência de portabilidade não autorizada, além de cobranças indevidas. A Vivo afirma que está acionando a Justiça contra a ação praticada pela Atelex.

 Felipe Ventura / Tecnoblog) Loja da Vivo em São Paulo (Imagem: Felipe Ventura / Tecnoblog)

Atelex usa nome da Vivo indevidamente

A situação não é recente: o Tecnoblog encontrou registros de usuários no Reclame Aqui sobre situações semelhantes à informada pelo Procon-SP, a maioria referente a clientes empresariais. Uma publicação feita em agosto de 2019 na plataforma revela o que parece ser o modus operandi da Atelex:

“A Empresa Atelex ligou na minha empresa dizendo ser representante da Vivo e que o plano atual de telefonia não existiria mais e que teríamos que migrar para um novo plano onde a Atelex seria a nova representante da Vivo para atender a minha empresa, e que se isso não fosse assinado, e devolvido o contrato em até 3 dias, o plano seria cancelado.

Entrei em contato com a Vivo que disse desconhecer o fim do plano atual que temos e que também a empresa Atelex não é representante Vivo, e sim um concorrente que quer migrar a nossa linha da Vivo para a Atelex.”

De acordo com os usuários, ao assinar o contrato, a Atelex pede a portabilidade da conta, migrando o cliente da Vivo para sua própria empresa. E tem mais: ao descobrir a mudança indevida e tentar desfazer o processo, o consumidor ainda recebe uma multa referente à quebra de contrato — este que teria sido firmado de forma enganosa.

Vivo está acionando a Justiça contra a Atelex

Procurada pelo Tecnoblog, a Vivo esclarece que não tem parceria com a Atelex para prestação de serviços. Em nota, a empresa afirma ainda que entrou na Justiça. Confira o posicionamento, na íntegra, a seguir:

“A Atelex do Brasil não é representante da Vivo para comercialização, atendimento ou prestação de serviços de telecomunicações. A Vivo apurou os fatos e já adotou as medidas judiciais cabíveis. Em caso de dúvida, clientes devem procurar os canais de atendimento e de informação oficiais da empresa, como o 10315 e o site www.vivo.com.br.”

Procon-SP quer explicações de ambas as empresas

Apesar da resposta da Vivo, o Procon-SP quer mais detalhes sobre a situação e deu um prazo de 4 dias para os esclarecimentos. A entidade afirma que ambas as empresas devem informar qual é a conduta adotada perante as reclamações de consumidores sobre a prática de venda enganosa ou falha informacional.

A Atelex e a Vivo terão ainda que dizer quantas queixas foram recebidas e se há alguma compensação aos consumidores que ficaram sem o serviço e tiveram o nome negativado indevidamente.

A notificação vai além:

“As empresas deverão informar no que consiste o serviço de digitalização da linha telefônica oferecido pelos funcionários da Atelex, se trata de portabilidade, quais informações prestadas e quais documentos apresentados aos consumidores sobre esse serviço, por quais razões os serviços (telefônicos e internet) param de funcionar após a digitalização das linhas, se os consumidores são informados dessas interrupções, como devem proceder para reativar os serviços, quantos serviços de digitalização já foram efetuados nos últimos 03 meses e se há redução nos custos com esse serviço.”

O chefe de gabinete do Procon-SP, Guilherme Farid, diz que o órgão está investigando como a Atelex obteve os dados de clientes da Vivo para a abordagem inicial. “Esta portabilidade indevida e o acesso indevido aos dados do consumidor estão sendo investigados”, afirma Farid.

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