Área de tecnologia puxa retomada de serviços contratando número menor de trabalhadores

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A retomada do setor de serviços no país tem sido puxada ao longo da pandemia por atividades não presenciais, ligadas à área de tecnologia e que demandam menos mão de obra, frisam analistas.

Com a reabertura da economia, os serviços prestados às famílias, que dependem do contato direto com clientes e são conhecidos pela geração de empregos em grande quantidade, passaram a dar sinais de reação, mas ainda insuficientes para aquecer o mercado de trabalho.

Esse cenário ficou mais nítido nesta terça-feira (14), após o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgar a PMS (Pesquisa Mensal de Serviços) de julho. Na comparação com junho, o volume do setor de serviços cresceu 1,1% no país.

A alta foi sustentada por duas das cinco atividades investigadas. Os serviços prestados às famílias subiram 3,8%, acumulando ganho de 38,4% entre abril e julho. Enquanto isso, os serviços profissionais, administrativos e complementares avançaram 0,6%, com crescimento de 4,3% nos últimos três meses.

Os serviços prestados às famílias reúnem negócios como bares, restaurantes, hotéis e parques temáticos, atingidos em cheio pelas restrições na crise sanitária. Embora tenha se destacado em julho, essa atividade é a única das cinco pesquisadas que ainda está abaixo do nível pré-pandemia. O patamar é 23,2% inferior ao de fevereiro de 2020.

Na outra ponta da lista, estão os serviços de informação e comunicação. Mesmo com a baixa de 0,4% na passagem de junho para julho, registram nível 9,6% superior ao pré-crise.

O patamar dos serviços como um todo é 3,9% maior do que o de fevereiro do ano passado, além de ser o mais elevado desde março de 2016.

Rodrigo Lobo, analista da pesquisa do IBGE, frisou que, apesar da melhora de atividades voltadas às famílias, os serviços não presenciais e com menor demanda por mão de obra vêm sustentando a recuperação do setor como um todo.

“O que traz os serviços para o patamar similar a março de 2016 são os serviços de caráter não presencial, voltados em grande parte às empresas, e não às famílias, pouco contratadores de mão de obra, voltados para o mercado externo”, indicou.

“É um perfil concentrador de renda, à medida que é mais calcado em capital, e não tanto em contratações”, acrescentou.

Marina Garrido, pesquisadora do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas), tem avaliação similar. Com uma retomada ainda insuficiente nos serviços prestados às famílias, o mercado de trabalho segue com dificuldades, sinaliza a economista. Segundo Marina, há espaço para o crescimento desse ramo nos próximos meses, já que o segmento ainda está abaixo do pré-pandemia.

“Claro, existem dificuldades na economia, como a inflação alta, mas o setor de serviços é menos afetado [pelo aumento dos preços] do que o varejo, por exemplo. Quem consome mais serviços, proporcionalmente, são as famílias mais ricas. A cesta de consumo delas tem participação maior de serviços do que a dos mais pobres.”

Após a divulgação do resultado de julho, a CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo) revisou sua estimativa para o setor de serviços em 2021. A alta prevista para o volume passou de 5,8% para 6,2%.

O economista Fabio Bentes, da CNC, destaca que a vacinação e a reabertura de atividades têm causado estímulo aos negócios, mas reconhece que a retomada do emprego ainda depende de uma reação mais consistente dos serviços prestados às famílias.

“Serviços de informação e comunicação não são tão consumidores de mão de obra quanto aqueles prestados às famílias, que, mesmo subindo, seguem 23,2% abaixo do pré-pandemia”, diz Bentes.

Em relatório, o Banco Original afirmou que a alta de 1,1% de serviços em julho veio em linha com as expectativas do mercado.

“O resultado reforçou a sinalização de avanço da atividade econômica no terceiro trimestre do ano e especialmente a mensagem de recuperação do setor em meio à reabertura das atividades econômicas e ao avanço da vacinação contra a Covid-19 no país”, emendou o banco.

O Goldman Sachs também associou a alta a questões como o aumento da mobilidade e o avanço da imunização. No entanto, a instituição citou riscos para os próximos meses, que incluem a aceleração da inflação, juros mais altos e ruídos e incertezas na área política.

Conforme o IBGE, o setor de serviços como um todo ainda está em nível 7,7% inferior ao recorde histórico, alcançado em novembro de 2014. Entre janeiro e julho de 2021, o volume do setor acumulou alta de 10,7%. Em período maior, de 12 meses, houve elevação de 2,9%.

O IBGE ainda informou nesta terça que, em relação a julho de 2020, o setor cresceu 17,8%. Analistas consultados pela agência Bloomberg projetavam uma alta de 18% nessa base de comparação.​

Além de apresentar o desempenho de serviços, o IBGE também já divulgou os balanços de outros dois indicadores setoriais referentes a julho: produção industrial e vendas do comércio.

Conforme o instituto, a produção das fábricas caiu 1,3% frente a junho. Já o comércio subiu 1,2%.

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