Amostras de asteroide sugerem que a água da Terra pode ter vindo do Sol

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Uma pesquisa publicada nesta segunda-feira (29) na revista científica Nature Astronomy relata que amostras do asteroide Itokawa coletadas pela sonda espacial japonesa Hayabusa, em 2010, indicam que a água da Terra pode ter origem no Sol.

Segundo a pesquisa, essa água pode ter chovido na Terra na forma de grãos de poeira produzidos pela interação do vento solar, a corrente de partículas carregadas que emana da nossa estrela, com vários corpos no sistema solar.

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Cientistas explicam como os ventos solares podem ser a verdadeira fonte do reservatório de água da Terra. Imagem: IgorZh – Shutterstock

“Os ventos solares são fluxos de íons principalmente de hidrogênio e hélio que fluem constantemente do Sol para o espaço”, explicou, em comunicado, o cientista planetário da Universidade de Glasgow, no Reino Unido, Luke Daly, principal autor do novo artigo.

“Quando esses íons de hidrogênio atingem uma superfície sem ar como um asteroide ou uma partícula de poeira espacial, eles penetram algumas dezenas de nanômetros [uma polegada tem 24,5 milhões de nanômetros] abaixo da superfície, onde podem afetar a composição química da rocha”, disse Daly.

De acordo com o cientista, com o tempo, esse efeito de intemperismo espacial dos íons de hidrogênio pode ejetar átomos de oxigênio suficientes dos materiais da rocha para criar água, que permanece presa dentro do asteroide.

Composição química da água da Terra não corresponde às origens apontadas até então

Esse mecanismo, segundo o site Space, pode ser o elo que faltava para explicar a abundância e a composição química da água na Terra, que há muito tempo confunde a ciência. 

Como sabemos, a superfície da Terra está 70% coberta por água – e isso é muito mais do que qualquer outro planeta do sistema solar. Nenhuma das teorias existentes é capaz de explicar totalmente o porquê disso. 

Uma linha dominante diz que asteroides ricos em carbono, que atingiram a jovem Terra há cerca de 4,6 bilhões de anos, teriam sido os responsáveis por entregar toda essa água ao planeta. 

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No entanto, uma análise química detalhada de meteoritos conhecidos como condritos carbonosos, que são pedaços desses asteroides ricos em carbono, revelou que a água presa dentro deles não corresponde exatamente à impressão digital química da água da Terra. 

Essa discrepância no que os cientistas chamam de composição isotópica levou os pesquisadores a acreditar que deve haver pelo menos uma fonte adicional do líquido vitalizador em nosso planeta. 

Isótopos são formas de elementos químicos que diferem apenas pelo número de nêutrons sem carga que contêm. Os condritos carbonáceos tendem a ter água com mais deutério, uma forma de hidrogênio com um nêutron, enquanto o hidrogênio da Terra é principalmente uma forma mais leve chamada protium, que, por sua vez, não tem nêutrons. 

Em busca da fonte adicional de água da Terra, a equipe de Daly analisou a composição do Itokawa, um tipo de asteroide rochoso rico em óxido de silício usando uma nova técnica chamada tomografia por sonda atômica. Assim, eles mediram a estrutura de cada átomo desses grãos, para detectar moléculas individuais de água. 

“[Nossa técnica] nos permite dar uma olhada incrivelmente detalhada dentro dos primeiros 50 nanômetros ou mais da superfície dos grãos de poeira do asteroide Itokawa, que orbita o Sol em ciclos de 18 meses”, revelou Phil Bland, diretor do Centro de Ciência e Tecnologia Espacial da Universidade Curtin, na Austrália, um dos coautores estudo. “Isso nos permitiu ver que esse fragmento de borda afetada pelo espaço continha água suficiente que, se aumentarmos, totalizaria cerca de 20 litros para cada metro cúbico de rocha”.

Segundo Bland, as partículas produzidas na interação da poeira de Itokawa com o vento solar tinham mais predominância da forma mais leve do hidrogênio do que os asteroides ricos em carbono. “Isso sugere fortemente que a poeira de grão fino, fustigada pelo vento solar e puxada para a Terra em formação há bilhões de anos, pode ser a verdadeira fonte do reservatório de água do nosso planeta”.

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