A Fazenda 13: Entre semidesconhecidos e figuras repetidas, quem brilha é Adriane Galisteu

6 dias atrás 44

Nos primeiros dias, A Fazenda sempre provoca emoções contraditórias no espectador. Uma delas aflora desde os primórdios do programa: “quem é essa pessoa que eu nunca vi na vida?”, grita uma parte dos nossos cérebros, sentindo-se desinformada e/ou ludibriada pela produção.

Afinal, o reality da Record sempre se propôs a escalar apenas celebridades para seu elenco. Mas é praticamente impossível encontrar duas dezenas de artistas que todo mundo conheça dispostos a passar perrengues e necessidade por mais de três meses em Itapecerica da Serra. A solução é chamar assistentes de palco, rappers que tiveram um único hit e seja lá o que Deus quiser.

De uns tempos para cá, A Fazenda também se especializou em trazer veteranos de outros realities. A sensação que aflora na gente é “mas esse cara de novo?”. No entanto, esses repetecos fazem sentido se o repetido ganhou seguidores e despertou grandes paixões, pró ou contra. Não é o caso do anódino Bil Araújo, que inexplicavelmente emplacou seu terceiro reality de 2021. O cara foi mal no BBB e no No Limite, ambos na Globo, saindo logo no começo das temporadas, e agora poderá ir mal e sair cedo também de A Fazenda.

No afã de convidar vilões, indispensáveis em qualquer confinamento, A Fazenda também está se tornando a clínica de reabilitação das carreiras descarriladas. Não são só nomes que andavam no ostracismo e buscam uma segunda chance: já faz algumas edições que os peões incluem quem também está padecendo do excesso de mídia, quase toda negativa. A edição do ano passado serviu para Biel limpar um pouco a própria barra depois de inúmeros escândalos, objetivo que este ano cabe a Nego do Borel.

No entanto, a Fazenda acerta em cheio quando traz figuras que entraram há pouco em evidência, mas ainda não foram superexpostas. É o caso da autodeclarada socialite Liziane Gutierrez, que se notabilizou ao protagonizar um barraco numa festa que a polícia tentou fechar por não cumprir os protocolos contra a Covid-19, ou da bela modelo Dayane Mello, que brilhou na mais recente versão do Big Brother italiano.

Por outro lado, soa preguiçosa a escalação da funkeira Tati Quebra-Barraco. Parece uma tentativa canhestra de reprisar a popularidade de Jojo Todynho, a campeã de A Fazenda 12.

Mas ainda é cedo para tirar conclusões. Ninguém se destacou muito na estreia, para o bem ou para o mal, e não dá para apostar em quem vai cair nas graças do público. Alguns sairão já nas próximas semanas, sem ter tido tempo de deixar sua marca. Faz parte.

A vencedora da noite foi mesmo Adriane Galisteu, que mais uma vez demonstrou desenvoltura e agilidade. A reparar, apenas a insistência de apresentadora em querer emplacar gírias próprias: “varandox”, “fazenders”, “Itapecirocks”. É preciso dosar melhor, para ficar orgânico como a “fazendola” de Marcos Mion.

Mesmo com o país pegando fogo aqui fora, A Fazenda 13 não deve discutir temas candentes como racismo, machismo ou homofobia. Galisteu avisou na coletiva que não haverá espaço para debates políticos. Acho ruim, mas também acho bom. A Fazenda não tem prurido em se assumir como entretenimento trash, sem pretensão alguma além de divertir –e, de vez em quando, chocar.

Foto de Tony Goes

Tony Goes tem 60 anos. Nasceu no Rio de Janeiro, mas vive em São Paulo desde pequeno. Já escreveu para várias séries de humor e programas de variedades, além de alguns longas-metragens. E atualiza diariamente o blog que leva seu nome: tonygoes.com.br

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