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Minha Mãe sempre dizia: "tudo tem limite!"
31/01/2007 Perspectiva

Nesta semana o Brasil presenciou uma cena pitoresca, digna de filmes “Hollywoodianos”. Mais de mil manifestantes do Movimento da Libertação dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MLST), invadiram a Câmara dos Deputados em Brasilia, segundo um dos lideres do movimento, “o protesto ocorre em repúdio ao trabalho escravo existente no País e ao Congresso que não votou ainda o orçamento da União, além de ser a favor da Reforma Agrária”. Segundo estimativas da Diretoria-Geral da Câmara dos Deputados a estimativa inicial dos prejuízos causados pela depredação em instalações da Casa é de R$ 150 mil.

Do outro lado da história parlamentares foram unânimes em declarar seu repudio ao ato, e a exigir a punição dos culpados. Contudo, o Senador e “pai de santo” baiano ACM deu uma declaração assustadora, dignas dos momentos negros do Golpe de 64. “Eu pergunto: as Forças Armadas do Brasil, onde é que estão agora?(…) As Forças Armadas não podem ficar caladas. Esses comandantes estão aí a obedecer a quem? A um subversivo? Quero dizer, neste instante, aos comandantes militares, não ao ministro da Defesa porque ele não defende coisa nenhuma (…), reajam enquanto é tempo. Antes que o Brasil caia na desgraça de uma ditadura sindical”

Querem o fim da Democracia brasileira! “O que eles querem, quem eles pensam que são!”

De um lado um movimento usa da violência contra as pessoas e o patrimônio público como forma de pedir a aprovação de leis e a melhoria de vida da população. Vivemos numa democracia representativa, e bem ou mal nós escolhemos aqueles que irão nós representar. Do outro lado, um representante do povo, escolhido pelo povo, conclama os fantasmas do passado para nos socorrer.

Outrora o país lutou pelo direito de liberdade e de escolha, ante um regime ditatorial que nós impedia enquanto povo de participar das decisões do país. Conquistamos a duras penas muitos dos atuais direitos políticos e sociais. O voto, o direito a manifestações populares, a liberdade de impressa, as eleições diretas, os sindicatos, enfim, as bases que sustentam nossa jovem democracia. Vivemos as dificuldades peculiares a toda construção democrática, estamos aprendendo muitas coisas.

Não podemos deixar que exageros atrapalhem a construção deste país. Por um lado os que abusam do direito constitucional de cobrar dos nossos representantes e de se manifestar, e por outro representantes deste país que querem usar estes exageros como forma de atrasar a construção da democracia deste país.

Que se prendam os culpados, que se punam os envolvidos. Contudo, pedir intervenção militar, ou exigir o fim de todos os movimentos sociais, ou até mesmo, proibir toda forma de manifestação popular, é ir além demais. Pior, se toda as vezes que fomos exigir melhorias para este país quebrarmos alguma coisa, estaremos contruindo não um país, mas um grande entulho na América do Sul!

Tudo tem limite! Para todos os lados!

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