Escravos da Vaidade


Os noticiários tupiniquins declaram: “Brasileira morre em lipoaspiração nos EUA”. Um falso médico, uma falsa clínica instalada num porão de uma casa, ao que tudo indica foi utilizada anestesia para animais e uma pergunta que não quer calar: O que leva uma garota de 23 anos a arriscar tanto, por uma lipoaspiração?

Não quero discutir a ingenuidade desta moça, ou a irresponsabilidade do falso médico. Gostaria de entender,tentar pelo menos, o sentimento que rodeava o coração desta moça, assim como milhares de outras capazes de cometer atos insanos na busca por um rosto melhor, um abdômen mais sarado e quem sabe um bumbum mais cobiçado. A vaidade se torna mais importante que a própria vida?

A vaidade persegue o ser humano desde os tempos mais remotos. Salomão, no livro de Eclesiastes declara: “Vaidade, tudo é vaidade”. No filme “Advogado do Diabo”, a figura diabólica interpretada brilhantemente por Al Pacino confessa que a vaidade é o pecado que ele mais gosta nos homens e é através dela que ele consegue destruir a vida do protagonista, interpretado por Keanu Reeves.

E assim caminha a humanidade…

Nos tornamos servos da vaidade. Nos sujeitamos as minúcias dela. Nos submetemos a seus desejos. Extrapolamos o limite da saúde, estamos indo além do possuir uma imagem melhor, buscando uma INALCANÇÁVEL perfeição estética, apregoada por meios de comunicação e publicitários.

Pior, estamos acreditando que a nossa felicidade esta diretamente relacionada com a nossa vaidade! Quanta mentira!

Conta a mitologia a história de Narciso. Ele era filho do deus-rio Céfiso e da ninfa Liríope. Dotado de grande beleza, sua mãe preocupada com o destino de Narciso, decidiu consultar um adivinho. Este respondeu-lhe que “Narciso teria uma vida longa, mas morreria no dia em que se visse” (seu reflexo).

Certa ocasião, durante uma caçada, Narciso sentiu muita sede e resolveu beber água. Ficou maravilhado com o reflexo da sua própria imagem no lago e apaixonou-se pelo belíssimo ser que visualizou. Conta o mito que ele acabou morrendo ali mesmo, sem conseguir mover-se ou desviar o olhar daquele ser que o encantou.
Narciso era um servo da vaidade, escravo da sua beleza e assim morreu. A brasileira morta nos EUA servia a vaidade e escrava dela morreu também. A vaidade deve esta a nosso serviço, a serviço da nossa felicidade. A vaidade é peculiar ao ser humano. Contudo morrer por ela é ir longe demais…

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